Brasil detém a segunda maior reserva mundial de terras raras e lidera reservas de nióbio
O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo e lidera a de nióbio, além de ocupar posições destacadas em grafita e níquel. O Ministério de Minas e Energia organiza esses recursos em três eixos de minerais estratégicos via Resolução nº 2/2021. O país atua como exportador de matéria-prima devido a limitações no refino e beneficiamento
O Brasil detém a segunda maior reserva mundial de terras raras, com 21 milhões de toneladas, o que corresponde a 23% do total global. O país também lidera o ranking de reservas de nióbio, concentrando 94% do volume mundial (16 milhões de toneladas), além de ocupar a segunda posição em grafita, com 74 milhões de toneladas (26%), e a terceira em níquel, com 16 milhões de toneladas (12%). Os depósitos de terras raras com viabilidade econômica estão localizados principalmente em Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe.
Esses recursos integram categorias distintas de minerais que impulsionam a transição energética e a alta tecnologia. As terras raras consistem em um grupo de 17 elementos químicos, abrangendo os 15 lantanídeos — como neodímio, cério, lantânio e disprósio —, além do ítrio e do escândio. Já os minerais estratégicos são fundamentais para a defesa e o desenvolvimento econômico, enquanto os minerais críticos são definidos pelo risco de desabastecimento, seja por dependência externa, instabilidade geopolítica ou concentração geográfica da produção. Exemplos comuns de minerais críticos e estratégicos incluem o lítio, o cobalto, o níquel, a grafita e o nióbio.
Para organizar a gestão interna, o Ministério de Minas e Energia estabeleceu, via Resolução nº 2 de junho de 2021, uma lista de minerais estratégicos dividida em três eixos. O primeiro agrupa itens que demandam importação, como potássio, fosfato, enxofre e molibdênio. O segundo foca em insumos para alta tecnologia, incluindo urânio, titânio, vanádio, silício, tálio, cobre, estanho, cobalto, níquel, nióbio, lítio, grafita, terras raras e minérios do grupo da platina. O terceiro grupo compreende minerais que geram superávit comercial e vantagem comparativa, como ferro, ouro, manganês, alumínio, cobre, grafita, nióbio e urânio.
No cenário geopolítico, a hegemonia da China no refino e na produção de terras raras motiva Estados Unidos e União Europeia a buscarem novos fornecedores, posicionando o Brasil como peça central nessa dinâmica. Contudo, a economia brasileira enfrenta a barreira do beneficiamento e do refino, etapas complexas da cadeia produtiva que ainda são subdesenvolvidas no país. Essa lacuna mantém o Brasil no modelo de exportador de matéria-prima, importando produtos de maior valor agregado e consumindo pouco desses minerais no mercado interno.
A exploração desses recursos também impõe custos socioambientais. A atividade minerária compromete recursos hídricos e altera a topografia local através da remoção de montanhas. No âmbito social, a mineração exerce pressão sobre os municípios, frequentemente resultando em aumento da violência urbana, da desigualdade e da pobreza.