CATL fornecerá baterias de sódio com redução de até 50% nos custos a partir de 2026
A CATL implementará baterias de íons de sódio em automóveis a partir de abril de 2026, iniciando com o GAC Aion. A solução diminui gastos de fabricação em até 50% e entrega autonomia de 500 km. As remessas globais do material atingiram 9 GWh em 2025, crescimento de 150% em relação ao ano anterior
A CATL confirmou que passará a fornecer baterias de íons de sódio para veículos de passeio a partir de abril de 2026. A tecnologia reduz os custos de produção em até 50% em comparação às baterias de lítio, permitindo que carros elétricos de entrada compitam em preço com modelos a combustão. Esse movimento é impulsionado pela alta do carbonato de lítio, que atingiu 170 mil yuans por tonelada na China, valor equivalente a cerca de R$ 130 mil.
O sódio, sexto elemento mais abundante da crosta terrestre, pode ser extraído de depósitos minerais ou sal marinho, substituindo materiais caros e escassos como cobalto, níquel e o próprio lítio. Em termos de desempenho, a bateria da CATL apresenta densidade energética de 175 Wh/kg, aproximando-se do intervalo de 160 a 200 Wh/kg das baterias LFP de lítio. O sistema oferece autonomia de 500 km por carga e vida útil de 5,8 milhões de quilômetros. Tecnicamente, o sódio supera o lítio na estabilidade térmica, reduzindo quase a zero o risco de ignição e mantendo maior capacidade de carga em temperaturas negativas.
O primeiro veículo a utilizar a tecnologia será o GAC Aion, com produção em série prevista entre abril e julho de 2026, com expansão planejada para o modelo Aion Y Plus. A BYD também desenvolve sua terceira geração de baterias de sódio, focando em durabilidade de 10 mil ciclos para veículos ultrabaratos. Outras empresas, como Ronbay Technology e EVE Energy, já montam linhas de produção dedicadas ao material.
O mercado global de baterias de sódio registrou remessas de 9 GWh em 2025, um salto de 150% sobre o ano anterior. Atualmente, a China detém 70% do mercado mundial de baterias, enquanto o Ocidente, influenciado por subsídios como o IRA nos Estados Unidos, mantém o foco no lítio. A abundância do sódio reduz a dependência geopolítica e abre oportunidades para países em desenvolvimento, como o Brasil, que poderia atuar como produtor em larga escala.
Além dos veículos, a tecnologia deve baratear o armazenamento de energia em usinas eólicas e solares. A CATL ainda desenvolve packs híbridos que combinam sódio e lítio para equilibrar custo e autonomia no mesmo veículo. Contudo, a cadeia de suprimentos do sódio ainda é imatura e a densidade energética segue inferior para modelos premium, onde o lítio permanece necessário. O Fórum da Cadeia da Indústria de Baterias de Sódio, realizado na China, aponta que os próximos dois a três anos serão decisivos para a consolidação do setor.