FMI reduz projeção de crescimento do PIB global para 2026 devido a conflitos geopolíticos
O FMI reduziu a projeção do PIB global para 2026, de 3,3% para 3,1%, devido a conflitos envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos. O Brasil teve a estimativa de crescimento elevada por exportações de commodities, mas a previsão para 2027 é de 2%. EUA, China, Japão e zona do euro devem crescer 2,3%, 4,4%, 0,7% e 1,1%, respectivamente, em 2026
O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) global para 2026, reduzindo a estimativa de 3,3% para 3,1%. O ajuste reflete a instabilidade causada pelos conflitos envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos, que impactam a confiança dos mercados, as cadeias produtivas e os preços de energia.
O cenário base prevê um conflito de curta duração, com o petróleo orbitando os US$ 82 por barril em 2026, o que ainda resultaria em desaceleração global. Contudo, a instituição alerta que a escalada no Golfo Pérsico apresenta riscos superiores aos de choques recentes, como as tarifas comerciais estadunidenses. Em uma perspectiva adversa, com o barril superando US$ 100 até 2027, a economia mundial poderia caminhar para uma recessão. Já em uma hipótese severa, com preços atingindo US$ 110 em 2026 e US$ 125 em 2027, a inflação global passaria de 6%, forçando os bancos centrais a implementarem novos apertos monetários.
No Brasil, a projeção de crescimento foi elevada, resultado do aumento nas receitas provenientes da exportação de petróleo e outras commodities. O país conta com amortecedores para enfrentar choques externos, como o câmbio flutuante, reservas internacionais volumosas e baixa dependência de dívidas em moeda estrangeira. Apesar disso, a expansão brasileira para 2027 é estimada em 2%, valor inferior às previsões anteriores devido a custos mais altos de insumos, condições financeiras restritivas e a própria desaceleração global.
Entre as grandes potências, os Estados Unidos devem registrar crescimento de 2,3% em 2026, com recuo gradual em 2027. A China projeta expansão de 4,4% em 2026, enquanto o Japão deve crescer cerca de 0,7%. A zona do euro apresenta a trajetória mais pressionada pelos custos energéticos, com previsão de crescimento de 1,1%.
O relatório indica que a economia global atravessa um período de fragilidade e maior sensibilidade a crises geopolíticas. O desempenho superior do Brasil é visto como um alívio pontual e dependente de variáveis externas. Caso ocorram interrupções prolongadas no fornecimento de energia ou a intensificação dos conflitos, os impactos sobre a inflação, os mercados financeiros e o crescimento serão significativamente mais graves.