Marinha Francesa testa lançamento de drone americano a partir de submarino no Mediterrâneo
A Marinha Francesa testou o lançamento e a recuperação do drone subaquático americano Razorback a partir de um submarino da classe Suffren. A operação ocorreu no Mediterrâneo utilizando o hangar Dry Deck Shelter para movimentar o equipamento. A manobra valida a interoperabilidade de ativos dos Estados Unidos por marinhas aliadas
A Marinha Francesa alcançou um marco operacional no Mediterrâneo ao testar, em março, o lançamento e a recuperação de um drone americano sem a necessidade de subir à superfície. A operação utilizou o Razorback, um veículo subaquático não tripulado (UUV) desenvolvido pela empresa HII, que consiste em uma versão militar do modelo civil REMUS 620. O equipamento é destinado a missões de inteligência, consciência de campo de batalha, medições oceanográficas e reconhecimento.
O diferencial técnico da manobra residiu no uso do Dry Deck Shelter (DDS), um hangar removível instalado no convés posterior do submarino. Embora essa estrutura seja tradicionalmente empregada para a movimentação de mergulhadores de forças especiais, ela foi adaptada para servir como plataforma de drones autônomos. Esse método diverge da estratégia dos Estados Unidos, que utilizam tubos de torpedo em seus submarinos da classe Virginia para finalidades semelhantes, tornando a solução francesa mais flexível e com maior capacidade de espaço.
Até então, a operação de drones como o Razorback era restrita a navios de superfície ou submarinos dos Estados Unidos. A validação técnica do teste, realizado por um submarino da classe Suffren, demonstra que ativos americanos podem ser operados por marinhas aliadas, ampliando o alcance operacional e a capacidade de guerra subaquática conjunta.
Para a OTAN, a inovação traduz-se em maior flexibilidade estratégica, permitindo que embarcações francesas executem tarefas de reconhecimento que anteriormente dependiam exclusivamente de submarinos americanos. O Comando de Veículos Subaquáticos Não Tripulados da Marinha dos EUA (COMUUVGRU-1) destacou que a integração de ativos entre aliados fortalece a parceria bilateral e a eficiência nas operações submarinas.
A implementação dessa tecnologia em larga escala depende do compartilhamento de especificações técnicas entre as nações, processo que pode variar conforme o cenário geopolítico. O sucesso do experimento abre caminho para um modelo de guerra submarina distribuída entre aliados.