Toronto amplia em 60% a capacidade de resfriamento urbano com águas do Lago Ontário
A Enwave Energy Corporation expandiu em 60% a rede Deep Lake Water Cooling em Toronto em agosto de 2024. O sistema utiliza águas do Lago Ontário para climatizar 200 edifícios por meio de 40 quilômetros de tubulações subterrâneas
Toronto, a maior cidade do Canadá, ampliou em agosto de 2024 a capacidade do sistema Deep Lake Water Cooling (DLWC), operado pela Enwave Energy Corporation. A expansão elevou em 60% a escala de uma rede que utiliza as águas profundas do Lago Ontário para climatizar a região central da cidade, consolidando a infraestrutura como um dos modelos de resfriamento urbano mais avançados do mundo.
Ativo desde 2004, o sistema baseia-se na estratificação térmica natural do lago, onde a água em grandes profundidades mantém temperaturas constantes próximas a 4 °C. Para aproveitar esse recurso, tubulações que se estendem por quilômetros captam a água fria e a conduzem até estações de troca térmica. Para garantir a segurança e evitar a contaminação, a água do lago não circula nos prédios; ela transfere seu frio para um circuito secundário de água limpa, que é então distribuído para as edificações conectadas.
Atualmente, a rede abrange 40 quilômetros de tubulações subterrâneas, atendendo 200 edifícios e cobrindo mais de 40 milhões de pés quadrados de área construída. A substituição de compressores e chillers tradicionais por esse mecanismo passivo reduz drasticamente o consumo de eletricidade e a emissão de gases de efeito estufa, além de diminuir a necessidade de manutenção e o uso de refrigerantes químicos.
Diferente de fontes renováveis intermitentes, como a solar e a eólica, o resfriamento por água profunda oferece estabilidade contínua, operando 24 horas por dia, independentemente de variações sazonais ou condições climáticas. Em Toronto, a eficiência é potencializada por uma sinergia com o sistema de abastecimento de água potável da cidade, integrando as infraestruturas hídrica e energética para reduzir redundâncias.
O sucesso da operação canadense impulsionou projetos similares em outras partes do globo, incluindo redes urbanas em cidades europeias que utilizam a água do mar e iniciativas em instituições como a Universidade Cornell. No entanto, a implementação dessa tecnologia enfrenta barreiras, como o alto investimento inicial para a construção da rede de captação e a dependência de condições geográficas específicas, como a existência de corpos d'água profundos e frios.
A abordagem de Toronto propõe uma mudança de paradigma na engenharia urbana, transformando o Lago Ontário de um elemento geográfico em um componente ativo da infraestrutura da cidade. Diante do aquecimento global e da crescente demanda por climatização, a integração de recursos naturais como alternativa aos sistemas mecânicos surge como uma via para cidades mais sustentáveis.