Política

Lula critica a ascensão da extrema-direita durante encontro progressista em Barcelona

18 de Abril de 2026 às 19:22

Em Barcelona, o presidente Lula integrou, no sábado, a Mobilização Progressista Global e o Fórum Democracia Sempre. O mandatário defendeu a justiça social ligada à democracia e questionou o modelo neoliberal e a extrema-direita. A programação inclui ainda idas à Alemanha e a Portugal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, no sábado (18), da primeira edição do evento Mobilização Progressista Global, em Barcelona, na Espanha. O encontro reuniu mais de 5 mil pessoas, incluindo chefes de Estado, ativistas e organizações de esquerda com o propósito de defender a democracia associada à justiça social e enfrentar o crescimento de forças autoritárias de extrema-direita.

Durante seu pronunciamento, Lula defendeu que não deve haver constrangimento em se identificar como progressista ou de esquerda na atualidade. O presidente argumentou que a esquerda falhou ao não superar o pensamento econômico dominante, o que abriu espaço para a ascensão de grupos reacionários. Segundo ele, o projeto neoliberal entregou insegurança, fome e desigualdade em vez da prosperidade prometida, e criticou governos de esquerda que, embora eleitos com discursos progressistas, implementaram políticas de austeridade e se tornaram parte do sistema.

Lula enfatizou a necessidade de coerência entre os programas de governo e a prática política, afirmando que a confiança da população não pode ser traída. Ele destacou que a sociedade demanda serviços básicos de qualidade, como hospitais, escolas, moradia e alimentação, além de políticas ambientais responsáveis e condições dignas de trabalho e salário. Para o presidente, a extrema-direita soube explorar a frustração causada pelas promessas não cumpridas do neoliberalismo, utilizando mentiras e discursos de ódio contra imigrantes, negros, mulheres e a comunidade LGBTQIA+.

Ainda em Barcelona, o presidente integrou a quarta edição do Fórum Democracia Sempre, iniciativa que envolve os governos de Brasil, Espanha, Colômbia, Chile e Uruguai. O evento foi organizado pelo presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, e contou com a participação de líderes como Gustavo Petro (Colômbia), Yamandú Orsi (Uruguai), Claudia Sheinbaum (México), Cyril Ramaphosa (África do Sul) e o ex-presidente chileno Gabriel Boric.

Nesse contexto, Lula atribuiu a crise socioeconômica global à concentração de riqueza por parte de poucos bilionários, classificando a desigualdade como uma escolha política e criticando a falácia da meritocracia. No cenário internacional, o presidente chamou os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU de "senhores da guerra", questionando os vultosos investimentos em armamentos enquanto persistem problemas de saúde, energia e fome no mundo. Ele defendeu a reforma do multilateralismo e a recuperação da credibilidade da ONU, apontando que o Sul Global é tratado como fornecedor de matérias-primas e arca com dívidas e mudanças climáticas que não provocou.

O presidente alertou que a ameaça da extrema-direita é real, citando a tentativa de golpe de Estado no Brasil, que previa a mobilização de tanques e assassinatos do presidente eleito, do vice-presidente e do presidente da Justiça Eleitoral. Citando o papa Leão XIV, Lula mencionou o risco de a democracia se tornar uma máscara para o domínio de elites tecnológicas e econômicas. Ele defendeu que a democracia deve ser reafirmada diariamente por meio de melhorias concretas na vida das pessoas, combatendo a fome, a discriminação racial e a violência contra a mulher.

A agenda europeia segue neste domingo (19) com a ida à Alemanha para a Hannover Messe, feira de inovação e tecnologia industrial que homenageia o Brasil nesta edição. No país, Lula terá uma reunião com o chanceler Friedrich Merz. A viagem será encerrada no dia 21, com uma visita de Estado a Portugal, onde o presidente se encontrará com o primeiro-ministro Luís Montenegro e com o presidente António José Seguro.

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