Ciência

Pesquisadores descobrem método para reverter a exaustão de células T no combate a tumores

20 de Abril de 2026 às 09:08

Pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém e instituições parceiras descobriram que a desativação da proteína Ant2 reverte a exaustão de células T. Testes em camundongos com melanoma mostraram que a técnica reduz o crescimento tumoral ao otimizar a produção de energia celular. Os resultados são preliminares e limitados a ensaios laboratoriais e animais

Pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém, em colaboração com instituições da Alemanha e do Texas, identificaram um método para reverter a exaustão das células T, componentes essenciais do sistema imunológico responsáveis por localizar e destruir invasores no organismo. O estudo, publicado em 14 de abril de 2026 pela ScienceDaily, demonstrou que a desativação de uma proteína específica, a Ant2 (Adenine Nucleotide Translocase 2), torna essas células significativamente mais eficazes no combate a tumores.

A proteína Ant2 atua nas mitocôndrias, regulando a produção e a distribuição de energia ao trocar moléculas de ADP por ATP através da membrana mitocondrial. Em ambientes tumorais, que são hostis e carentes de nutrientes, as células T costumam perder a funcionalidade e se esgotar. Ao desligar a Ant2, a equipe liderada pelo professor Michael Berger observou que as células T alteram a forma como produzem energia, aumentando a massa mitocondrial e redirecionando o fluxo de carbono interno. Esse processo coloca as células em um estado de "pré-ativação", otimizando a capacidade de reconhecer e eliminar células cancerígenas.

A eficácia da técnica foi testada em camundongos com melanoma, a forma mais agressiva de câncer de pele. Em ensaios laboratoriais, as células T sem a proteína Ant2 eliminaram mais alvos tumorais do que as células convencionais. Nos animais, a transferência dessas células modificadas resultou em uma desaceleração do crescimento tumoral e na obtenção de tumores menores. Além disso, as células reprogramadas mantiveram a atividade por mais tempo dentro do tumor, superando a barreira da exaustão. Não foram observados efeitos colaterais nos camundongos, como perda de peso, sugerindo que o bloqueio da proteína não prejudicou as células saudáveis.

A descoberta se insere no campo do imunometabolismo, que estuda a relação entre a resposta imunológica e o metabolismo celular. Diferente da imunoterapia CAR-T — que modifica geneticamente as células T para alvos específicos, mas enfrenta custos elevados e riscos de exaustão celular —, a estratégia da Ant2 reconfigura o metabolismo energético da célula. Essa abordagem pode ser implementada via edição genética ou por meio de moléculas inibidoras, o que evitaria a alteração permanente do DNA e poderia reduzir os custos e a complexidade do tratamento.

Embora a estratégia de atuar diretamente nas mitocôndrias seja distinta de outras pesquisas, como as do Instituto Salk na Califórnia sobre genes de exaustão, os autores ressaltam que os resultados são preliminares. Até o momento, os testes foram realizados apenas em laboratório e em camundongos, sem ensaios clínicos ou dados de dosagem em humanos. Como a Ant2 é essencial para as mitocôndrias de todas as células do corpo, ainda é necessário avaliar se o bloqueio prolongado poderia afetar tecidos saudáveis em humanos. Além disso, a eficácia do método em outros tipos de câncer, como mama, pâncreas ou pulmão, permanece desconhecida.

Notícias Relacionadas