Antártida já teve florestas e solos expostos antes de se tornar um continente gelado
Registros geológicos indicam que a Antártida possuiu florestas e solos expostos há 34,4 milhões de anos. O resfriamento ocorreu devido à redução do dióxido de carbono atmosférico e ao isolamento térmico causado pela formação da corrente circumpolar antártica
A Antártida já apresentou ecossistemas diversificados, com solos expostos e florestas de coníferas semelhantes às tundras do hemisfério Norte, antes de se tornar o cenário de gelo extremo observado atualmente. Registros geológicos indicam que a última fase em que o continente esteve amplamente livre de gelo ocorreu há aproximadamente 34,4 milhões de anos, durante a transição entre o Eoceno e o Oligoceno. Naquele período, a Terra operava sob condições climáticas distintas, com níveis do mar elevados e a ausência de grandes mantos polares.
A transição para o resfriamento gradual foi impulsionada pela redução do dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. Entre 60 e 50 milhões de anos atrás, a concentração desse gás era significativamente maior, o que intensificava o efeito estufa natural. A queda subsequente nos níveis de CO2, resultante de atividades tectônicas e do intemperismo de rochas, alterou o equilíbrio térmico do planeta. Esse processo foi reforçado pelo aumento da refletividade solar em superfícies cobertas de neve e pela liberação de carbono de reservas costeiras, que modularam o clima global.
Paralelamente às mudanças químicas da atmosfera, a reorganização dos continentes foi decisiva para o congelamento da região. A separação entre a América do Sul e a Antártida criou a passagem de Drake, permitindo a formação da corrente circumpolar antártica. Esse fluxo oceânico isolou o continente de águas mais quentes e reduziu a entrada de ar úmido e quente, consolidando a manutenção de baixas temperaturas e a expansão das geleiras, o que, por consequência, alterou a circulação oceânica e o nível do mar.
Análises de instituições como a NASA e o IPCC utilizam esse histórico para compreender a sensibilidade das geleiras e o papel do CO2 no sistema climático. Embora modelos climáticos indiquem que o derretimento total da calota antártica não deve acontecer em poucos séculos, a influência das emissões humanas de gases de efeito estufa mantém a possibilidade de transformações futuras. Perdas parciais de gelo já seriam capazes de elevar o nível do mar em vários metros, impactando diretamente as regiões costeiras do planeta.