Ciência

Exoplaneta LTT 9779 b reflete 80% da luz estelar devido a nuvens de metais

20 de Abril de 2026 às 15:20

O exoplaneta LTT 9779 b, a 260 anos-luz da Terra, reflete 80% da luz estelar devido a nuvens metálicas e de silicatos. Com temperaturas acima de 2.000°C, o mundo do tipo Netuno completa sua órbita em menos de 24 horas. A detecção ocorreu por meio dos telescópios TESS e CHEOPS

O exoplaneta LTT 9779 b, localizado a aproximadamente 260 anos-luz da Terra, apresenta características que desafiam as previsões teóricas da astronomia. Identificado inicialmente por dados do telescópio TESS e analisado posteriormente pela missão CHEOPS, da Agência Espacial Europeia (ESA), o mundo do tipo Netuno ultraquente destaca-se por refletir cerca de 80% da luz de sua estrela. Esse índice de refletividade, superior até mesmo ao de Vênus, que devolve 75% da radiação solar, torna o planeta um dos objetos mais brilhantes já observados fora do Sistema Solar.

A alta luminosidade é atribuída à presença de nuvens metálicas e de silicatos em sua atmosfera. Em um ambiente onde as temperaturas ultrapassam os 2.000°C, materiais sólidos são vaporizados, mas partículas metálicas se condensam em camadas atmosféricas elevadas, criando a estrutura de um "espelho cósmico". Esse fenômeno climático não possui equivalente na Terra e ocorre apesar de a radiação estelar intensa, teoricamente, destruir qualquer atmosfera nessas condições.

A configuração orbital do LTT 9779 b também é extrema: o planeta completa uma volta ao redor de sua estrela em menos de 24 horas. Essa proximidade o classifica como um planeta de período ultracurto e o posiciona no chamado "deserto de Netunos quentes", uma região onde modelos científicos previam a inexistência de planetas com características intermediárias entre super-Terras e gigantes gasosos, devido à erosão atmosférica causada pela estrela.

A sobrevivência da atmosfera do LTT 9779 b contraria a expectativa de que o gás fosse rapidamente arrancado pelo processo de escape atmosférico. A estabilidade observada sugere a existência de dinâmicas internas ainda não compreendidas ou de um ciclo atmosférico inédito, no qual rochas são transformadas em atmosfera e, posteriormente, retornam ao estado de partículas condensadas.

A detecção dessas anomalias foi viabilizada pela precisão fotométrica da missão CHEOPS, que monitora variações na luz estelar para identificar propriedades planetárias. Ao combinar brilho extremo, resistência atmosférica e localização em uma zona de instabilidade teórica, o LTT 9779 b torna-se um objeto central para a revisão dos modelos de formação e sobrevivência de planetas no universo.

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