Registros da NASA indicam que a Antártida já foi coberta por florestas e vegetações frias
Registros da NASA e do British Antarctic Survey indicam que a Antártida possuía florestas e vegetação há 34,4 milhões de anos. O resfriamento ocorreu devido à redução de CO2 na atmosfera e à criação da corrente circumpolar antártica após a separação entre a América do Sul e o continente
A Antártida, atualmente caracterizada por uma calota de gelo com quilômetros de espessura, já apresentou cenários geológicos onde florestas e vegetações adaptadas ao frio dominavam a paisagem. Registros analisados pela NASA e pelo British Antarctic Survey indicam que, há cerca de 34,4 milhões de anos, durante a transição entre o Eoceno e o Oligoceno, o continente estava majoritariamente livre de gelo, assemelhando-se às tundras e florestas frias do hemisfério Norte, com ecossistemas diversificados e espécies hoje extintas.
Essa configuração climática era sustentada por níveis de dióxido de carbono (CO2) significativamente superiores aos atuais, especialmente entre 60 e 50 milhões de anos atrás. A alta concentração desse gás intensificava o efeito estufa natural, mantendo a temperatura global elevada e impedindo a existência de mantos de gelo permanentes. O resfriamento progressivo do planeta ocorreu à medida que processos naturais reduziram a presença de CO2 na atmosfera, desencadeando a fase de glaciação.
Além da composição química da atmosfera, a movimentação tectônica foi determinante para o isolamento térmico da região. A separação entre a América do Sul e a Antártida criou a passagem de Drake, o que permitiu o surgimento da corrente circumpolar antártica. Esse fluxo de água fria circula o continente como um anel, bloqueando a chegada de águas quentes de latitudes menores e consolidando a formação do gelo.
O histórico geológico serve como parâmetro para a compreensão da sensibilidade das geleiras contemporâneas. Embora modelos climáticos indiquem que o derretimento total da calota antártica não acontecerá em poucos séculos, a emissão humana de gases de efeito estufa coloca a região sob nova pressão térmica. A perda parcial dessas massas de gelo teria a capacidade de elevar o nível do mar em vários metros, tornando os dados do passado essenciais para estabelecer limites de risco e orientar a mitigação de danos climáticos no século XXI.