NASA identifica exoplaneta rochoso jovem com possível oceano de lava a 73 anos-luz da Terra
A NASA identificou o exoplaneta rochoso HD 63433 d, localizado a 73 anos-luz da Terra. O astro possui raio 1,1 vez maior que o terrestre, orbita sua estrela a cada 4,2 dias e apresenta temperaturas de 1.257°C no lado iluminado. Com 400 milhões de anos, é o menor planeta jovem confirmado nessa faixa etária
A NASA identificou o HD 63433 d, um exoplaneta rochoso com características extremas localizado a aproximadamente 73 anos-luz da Terra, na constelação de Gêmeos. O astro, que possui um raio cerca de 1,1 vez maior que o da Terra, orbita uma estrela semelhante ao Sol. A descoberta foi detalhada em 1º de fevereiro de 2024 no *The Astronomical Journal*, após análise de curvas de luz do satélite TESS conduzida por uma equipe internacional liderada por Melinda Soares-Furtado e Benjamin K. Capistrant.
O principal diferencial do planeta é a sua proximidade com a estrela, o que resulta em um ciclo orbital de apenas 4,2 dias terrestres. Essa configuração gera uma exposição massiva à energia estelar, elevando a temperatura do lado iluminado a cerca de 1.257°C. Devido ao provável travamento por maré, o HD 63433 d mantém a mesma face permanentemente voltada para a estrela, enquanto o lado oposto permanece em escuridão constante.
Essa disparidade térmica sustenta a hipótese de que o hemisfério diurno possua a superfície parcialmente ou totalmente fundida, formando um oceano de lava. Nesses níveis de calor, minerais sólidos derretem, transformando a crosta em magma líquido com dinâmica própria de circulação e possível liberação de gases.
Com idade estimada em 400 milhões de anos, o HD 63433 d é o planeta jovem do tamanho da Terra mais próximo já identificado e o menor exoplaneta confirmado com menos de 500 milhões de anos. Essa juventude astronômica torna o sistema um alvo estratégico para observar a evolução geológica de mundos rochosos sob radiação extrema, servindo como um laboratório natural para estudar limites físicos e dinâmicas atmosféricas.
A detecção ocorreu via método de trânsito, que monitora a redução do brilho estelar quando o planeta cruza a face da estrela. Embora os dados permitam inferir a natureza rochosa e a temperatura, a existência do oceano de lava ainda é baseada em modelos teóricos e não em observação direta.
Para refinar essas conclusões, o Telescópio Espacial James Webb poderá investigar a composição química e a presença de gases, como vapor mineral ou dióxido de carbono, na atmosfera do planeta. O estudo desse mundo extremo auxilia na compreensão da formação planetária e na definição dos limites da zona habitável no universo.