Ciência

Cientistas descobrem na Patagônia o menor dinossauro não aviano já documentado

14 de Abril de 2026 às 06:06

A revista Nature publicou a descoberta do Alnashetri cerropoliciensis, o menor dinossauro não aviano registrado, com 70 centímetros de comprimento e 1 quilo. O animal carnívoro bípede foi identificado a partir de fósseis encontrados na Patagônia argentina. Análises confirmaram que a dimensão reduzida era uma característica da espécie adulta

A publicação de um esqueleto quase completo na revista Nature, no início de 2026, revelou a existência do *Alnashetri cerropoliciensis*, o menor dinossauro não aviano já documentado. Com apenas 70 centímetros de comprimento, 40 centímetros de altura e peso aproximado de 1 quilo, o animal era menor que uma galinha doméstica atual.

A descoberta é fruto de um processo iniciado em 2012, quando fragmentos ósseis foram encontrados em uma escavação na Patagônia argentina. Na época, a dimensão das peças sugeria que pertenciam a um lagarto, e a escassez de material impediu a descrição imediata da espécie. Apenas com a recuperação de ossos de braços, pernas e fragmentos corporais foi possível reconstruir a anatomia do animal. Análises microscópicas comprovaram que ao menos um dos exemplares era um adulto plenamente desenvolvido, confirmando que o tamanho reduzido era um traço evolutivo da espécie, e não um estágio juvenil. A presença de pelo menos cinco indivíduos distintos no mesmo sítio reforça que a miniaturização era uma estratégia reprodutiva consolidada.

O *Alnashetri* integra o grupo dos alvarezossauros, dinossauros carnívoros bípedes. Diferente de membros mais recentes desse grupo, que apresentavam braços reduzidos, o exemplar da Patagônia exibe braços proporcionalmente longos e dentes grandes. Essa característica posiciona a espécie como um elo entre os carnívoros convencionais e os alvarezossauros especializados.

Modelagens evolutivas indicam que a redução de tamanho ocorreu de forma independente em diversos grupos de dinossauros, tanto carnívoros quanto herbívoros, em diferentes continentes. Uma das hipóteses para esse fenômeno é a possibilidade de explorar nichos ecológicos inacessíveis a predadores maiores, como vegetação densa, tocas e a caça de insetos, embora a ocupação desses micro-habitats pelo *Alnashetri* ainda careça de confirmação.

Apesar do avanço, a reconstrução do esqueleto não é total, com a ausência de partes do crânio que detalhariam a dieta e os sentidos do animal. Além disso, a concentração dos achados em um único local na Patagônia deixa em aberto a questão sobre a amplitude da distribuição geográfica da espécie.

O estudo do *Alnashetri* soma-se a outras evidências recentes sobre a diversidade pré-histórica, como a preservação de proteínas em embriões de 190 milhões de anos na China e a identificação de pegadas de 132 milhões de anos na África do Sul, que apontam para uma variedade de dinossauros no hemisfério sul superior à anteriormente imaginada.

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