Navio de pesquisa identifica ilha não registrada corretamente nos mapas do mar de Weddell
A tripulação do navio Polarstern identificou uma ilha de 130 metros de comprimento no noroeste do mar de Weddell. A formação rochosa, confirmada por sonar e drone, estava com a posição deslocada em cerca de 1 milha náutica nas cartas náuticas
Durante uma expedição no noroeste do mar de Weddell, a tripulação do navio de pesquisa Polarstern identificou a existência de uma ilha que não constava corretamente nos mapas da região. O achado ocorreu enquanto a embarcação, que transportava 93 integrantes e explorava a área desde 8 de fevereiro de 2026, precisou interromper as atividades científicas devido ao mau tempo. Ao buscar abrigo a sotavento da ilha Joinville, a equipe avistou inicialmente o que parecia ser um iceberg escurecido, mas confirmou tratar-se de uma formação rochosa.
A nova massa de terra possui 130 metros de comprimento, 50 metros de largura e se eleva 16 metros acima do nível do mar. Para validar a descoberta, os navegadores aproximaram o navio até a distância de 150 metros do ponto, mantendo 50 metros de profundidade sob a quilha. A confirmação da natureza da ilha foi consolidada por meio de medições de sonar de bordo e do uso de um drone, que gerou imagens aéreas e um modelo de elevação para a definição precisa da linha da costa.
O Alfred Wegener Institute, centro alemão de pesquisa polar e marinha, apontou que a região era indicada nas cartas náuticas apenas como uma zona de perigo, e não como costa. Além disso, a posição registrada nos mapas estava deslocada em cerca de 1 milha náutica em relação ao local real. Essa imprecisão é atribuída, em parte, ao fato de que imagens de satélite frequentemente confundem a ilha com icebergs circundantes devido à cobertura de gelo.
A descoberta evidencia as lacunas no mapeamento global, já que pouco mais de 25% do fundo dos oceanos possui medições diretas feitas por navios, dependendo a maior parte do restante de estimativas indiretas. Em regiões polares, a escassez de dados pode fazer com que objetos geográficos sejam omitidos de modelos cartográficos e cartas de navegação.
A coordenada exata da ilha será divulgada publicamente após a conclusão do processo de nomeação, etapa necessária para a inserção do ponto nas bases internacionais da Antártida. Atualmente, o banco internacional de nomes da região cataloga 39.187 nomes vinculados a 20.159 feições, com contribuições de comitês nacionais de 22 países.
O evento demonstra que a geografia antártica ainda comporta correções significativas, transformando a leitura estratégica de rotas e bases cartográficas em uma das áreas mais difíceis de navegação do planeta.