Expedição científica identifica 27 novas espécies de plantas e animais no noroeste do Peru
Expedição da Conservation International catalogou mais de 2 mil espécies em Alto Mayo, no Peru, incluindo 27 novas descobertas. O levantamento identificou 49 espécies em risco de extinção e 34 endêmicas da região. Os dados foram publicados em relatório oficial em dezembro de 2024
Uma expedição científica liderada pela Conservation International catalogou mais de 2.000 espécies de plantas e animais em Alto Mayo, região de transição entre os Andes e a Amazônia, no noroeste do Peru. O levantamento, realizado ao longo de 38 dias entre junho e julho de 2022, identificou 27 novas espécies anteriormente não documentadas pela ciência, incluindo um rato semiaquático com patas palmadas e um peixe com a cabeça transparente em formato de bolha.
O estudo revelou que o rato anfíbio é um dos roedores mais raros do mundo, possuindo adaptações exclusivas entre os mamíferos locais para se alimentar de insetos aquáticos. A pesquisa também registrou primatas endêmicos e criticamente ameaçados, como o titi de San Martin e o macaco de rabo amarelo peruano. No total, 49 das espécies encontradas integram a Lista Vermelha da IUCN, evidenciando o risco de extinção.
A catalogação foi viabilizada pelo uso de tecnologias avançadas, como sensores bioacústicos para animais noturnos, armadilhas fotográficas e a coleta de DNA ambiental (eDNA) em rios, técnica que permitiu localizar peixes invisíveis à coleta tradicional. Esse conjunto de ferramentas possibilitou que a equipe atingisse em pouco mais de um mês um volume de dados que demandaria anos de pesquisa convencional.
Os resultados foram consolidados em um relatório oficial de 474 páginas, publicado em dezembro de 2024 e amplamente divulgado em 2026. O documento aponta que ao menos 34 espécies são endêmicas de Alto Mayo e da região de San Martin, o que torna a preservação do habitat crucial, já que a área de 1,9 milhão de hectares — composta por florestas e zonas agrícolas — sofre com a conversão de terras e o desmatamento intenso.
A região é habitada por 280 mil pessoas, distribuídas entre comunidades indígenas, vilas e cidades. A colaboração com as populações indígenas foi determinante para o sucesso da missão, visto que algumas das espécies classificadas como novas para a ciência já eram conhecidas e nomeadas por esses grupos há gerações.
Além das confirmações, estudos genéticos em andamento podem validar a existência de outras 48 espécies, o que quase dobraria o número de novas descobertas. O volume de biodiversidade encontrado em uma área com forte influência humana surpreendeu a equipe, corroborando a importância de monitoramentos constantes em ecossistemas sob pressão.