Ciência

Experimento converte decaimento radioativo de trítio em eletricidade por meio de células solares amorfas

21 de Abril de 2026 às 18:07

A Double M Innovations converteu o decaimento radioativo de frascos de trítio em eletricidade usando células solares amorfas e fósforo. O sistema, composto por cinco ampolas e material refletor, registrou voltagem de até 2,9 volts em um capacitor após uma noite de carga. A potência opera em nanowatts, com viabilidade de operação por cerca de 12 anos

Um experimento realizado pela Double M Innovations demonstrou que o decaimento radioativo de frascos de trítio pode ser convertido em eletricidade por meio de uma configuração compacta e autossuficiente. O sistema utiliza o brilho emitido pela decomposição do material radioativo para gerar uma corrente elétrica constante, operando sem a necessidade de luz solar ou qualquer outra fonte de energia externa.

O mecanismo baseia-se no trítio, uma variante radioativa do hidrogênio. Durante seu processo de decomposição, o material emite elétrons de baixa energia que, ao atingirem uma camada de fósforo dentro de tubos de vidro selados, produzem uma luminosidade verde contínua. Para captar essa luz, foram utilizadas células solares amorfas, sensíveis a baixa luminosidade, posicionadas diretamente contra os tubos para converter o brilho em eletricidade.

A estrutura do dispositivo consiste em cinco ampolas de trítio, com 3 milímetros de diâmetro e 11 milímetros de comprimento, organizadas em fila entre duas células solares amorfas, semelhantes às encontradas em calculadoras. O conjunto inclui um material refletor interno para maximizar o aproveitamento da luz e é selado hermeticamente com fita de alumínio, o que impede a interferência de luz externa. A montagem dispensa fiação complexa ou soldagem, utilizando componentes acessíveis no mercado.

Durante a fase de testes com um multímetro, cada célula solar registrou entre 0,45 e 0,47 volts. Devido à baixa corrente de saída, as células foram conectadas em série a um capacitor para armazenar a carga acumulada. Esse método permitiu observar um crescimento gradual da voltagem: após 10 minutos, o capacitor atingiu 2,2 volts; após uma hora, chegou a 2,4 volts e, ao final da noite, alcançou 2,9 volts.

Apesar da tensão crescente, a potência total do sistema opera na escala de nanowatts, volume insuficiente para alimentar LEDs ou dispositivos eletrônicos. No entanto, a viabilidade do conceito reside na meia-vida do trítio, que é de aproximadamente 12 anos, garantindo a produção de energia por um longo período.

O experimento serve como uma prova de conceito, evidenciando que a combinação de radiação interna e materiais simples pode gerar corrente elétrica mensurável. O desempenho inferior em comparação a baterias nucleares comerciais justifica-se pelo alinhamento mais preciso entre os materiais radioativos e os componentes de captação presentes nos modelos industriais, o que otimiza a conversão energética.

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