Ciência

Telescópio James Webb detecta substância ligada a processos biológicos na atmosfera do exoplaneta K2-18 b

21 de Abril de 2026 às 18:07

Astrônomos de Cambridge detectaram dimetilsulfeto na atmosfera do exoplaneta K2-18 b com o Telescópio James Webb em abril de 2025. Pesquisadores da Universidade de Chicago contestaram a significância estatística dos dados, atribuindo o sinal a possíveis falhas de calibração. O planeta, localizado a 124 anos-luz da Terra, possui oceano global e atmosfera rica em hidrogênio

Astrônomos da Universidade de Cambridge, sob a liderança do professor Nikku Madhusudhan, identificaram em abril de 2025 assinaturas químicas de dimetilsulfeto na atmosfera do exoplaneta K2-18 b. A detecção foi realizada com o Telescópio Espacial James Webb, utilizando o instrumento MIRI, que opera em comprimentos de onda distintos de análises anteriores. Os dados indicaram concentrações de dimetilsulfeto e dissulfeto de dimetila superiores a 10 partes por milhão, volume consideravelmente maior do que o registrado na atmosfera da Terra.

O composto em questão está vinculado, no ambiente terrestre, a processos biológicos marinhos, especialmente ao fitoplâncton. Embora a detecção levante a hipótese de atividade biológica, a confirmação de vida depende da exclusão de mecanismos não biológicos que possam gerar a mesma substância. A análise alcançou um nível de significância estatística de três sigma, o que representa uma probabilidade de 0,3% de o sinal ser ruído.

Contudo, a interpretação dos resultados tornou-se objeto de debate científico. Semanas após o anúncio, uma equipe da Universidade de Chicago, coordenada por Rafael Luque, reavaliou os dados e concluiu que a evidência não é estatisticamente significativa. Para esse grupo, o sinal pode ser fruto de artefatos de calibração ou variações instrumentais. Na ciência, conclusões definitivas geralmente exigem o padrão de cinco sigma, que reduz drasticamente a margem de erro, enquanto casos precedentes, como a detecção de fosfina em Vênus, mostram que resultados preliminares podem ser invalidados.

A NASA reforçou que a presença de um único biossinal não é suficiente para comprovar a existência de vida, sendo necessárias evidências independentes e múltiplas. Outros pesquisadores apontaram a ausência de etano nos modelos atmosféricos, elemento que seria esperado sob certas condições químicas.

O K2-18 b, localizado a 124 anos-luz da Terra na constelação de Leão, foi descoberto em 2015 pelo telescópio Kepler. Classificado como um sub-Netuno — categoria inexistente no Sistema Solar —, o planeta possui 2,6 vezes o raio e 8,6 vezes a massa da Terra. Sua densidade e a órbita dentro da zona habitável de sua estrela sugerem a existência de água líquida, o que fundamenta a teoria de que se trata de um mundo Hiceano: um planeta com oceano global e atmosfera rica em hidrogênio.

Análises anteriores do James Webb, em setembro de 2023, já haviam detectado dióxido de carbono e metano com alta confiança. Naquela ocasião, a falta de amônia reforçou a hipótese de um ambiente oceânico, embora o sinal de dimetilsulfeto fosse, então, de baixa significância.

Apesar da controvérsia sobre os biossinais, pesquisas colaborativas com a NASA confirmaram a alta concentração de água no planeta. Novas observações com o James Webb seguem em curso para tentar elevar o nível de confiança da detecção. O estudo de K2-18 b consolida um avanço na astrobiologia, sendo um dos primeiros exoplanetas em zona habitável a ter sua atmosfera detalhada para a identificação de compostos complexos.

Com informações de Click Petróleo e Gás

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