Política

Brasil e Alemanha assinam acordos de cooperação técnica e estratégica em diversas áreas tecnológicas

20 de Abril de 2026 às 15:17

O presidente Lula e o chanceler Friedrich Merz assinaram, nesta segunda-feira, em Hannover, acordos de cooperação técnica e estratégica em áreas como defesa, inteligência artificial e bioeconomia. Os líderes discutiram a reforma da ONU, a instabilidade global e a implementação do acordo entre Mercosul e União Europeia. A pauta incluiu ainda a transição energética e a exportação de minerais críticos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler alemão Friedrich Merz assinaram, nesta segunda-feira (20), em Hannover, acordos de cooperação técnica e estratégica em áreas que abrangem defesa, inteligência artificial, tecnologias quânticas, infraestrutura, economia circular, eficiência energética, bioeconomia e pesquisas oceânicas e climáticas. O encontro, o terceiro desde 2023, ocorreu paralelamente à participação de Lula na abertura da Hannover Messe, a maior feira industrial do mundo, e em reuniões com empresários para discutir o setor de biocombustíveis.

No campo diplomático, os líderes manifestaram preocupação com a instabilidade global. Lula criticou a paralisia da ONU diante dos conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia, defendendo a reforma do Conselho de Segurança para recuperar sua legitimidade. O presidente brasileiro alertou que a prevalência da força sobre o direito ameaça a segurança internacional, citando especificamente os riscos de escalada no Líbano e no Irã, além da ameaça à sobrevivência do Estado Palestino.

O chanceler Friedrich Merz informou ter solicitado uma reunião extraordinária nas Nações Unidas para propor medidas de mitigação de crises. Merz destacou o impacto econômico global do novo fechamento do Estreito de Ormuz, que provocou a alta nos preços do petróleo, e apelou por um cessar-fogo no Irã e por soluções diplomáticas conduzidas pelos Estados Unidos, vinculando a estabilidade energética mundial ao fim imediato do conflito.

A possibilidade de uma intervenção militar dos Estados Unidos em Cuba, baseada em ameaças de Donald Trump, também foi pauta. Merz afirmou que a Alemanha não vê base legal para tal ação, argumentando que a diferença de sistemas políticos não justifica interferências externas. Lula reiterou sua oposição a intervenções unilaterais em Cuba, Venezuela, Ucrânia, Irã e na Faixa de Gaza, criticando a ingerência política sobre a organização de outras nações e o bloqueio econômico imposto pelos EUA a Cuba há quase sete décadas.

Sobre a relação comercial, os chefes de Estado celebraram a aprovação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, com previsão de entrada em vigor provisória em maio. Enquanto Merz destacou o potencial de fomento em tecnologia, agricultura e energia, Lula defendeu que a parceria deve proteger direitos humanos, trabalhadores e o meio ambiente. O presidente brasileiro, contudo, questionou a adoção de métricas unilaterais de cálculo de carbono pela União Europeia, afirmando que tais mecanismos desconsideram a realidade do processo produtivo brasileiro e desequilibram as concessões do acordo.

A agenda econômica focou ainda na transição energética. Merz manifestou interesse alemão em minerais críticos, essenciais para baterias e painéis solares, dada a abundância de reservas no Brasil. Lula condicionou essa cooperação ao desenvolvimento tecnológico nacional, ressaltando que o país não pretende ser apenas um exportador de commodities, mas atrair cadeias de processamento para seu território.

Ambos convergiram na importância dos biocombustíveis para a descarbonização dos transportes. Lula defendeu que a Europa supere resistências ideológicas ao etanol e ao biodiesel, citando a experiência brasileira de cinco décadas na produção sem comprometer florestas ou a segurança alimentar. Merz concordou com a necessidade de diversificar as fontes energéticas, reconhecendo o avanço tecnológico brasileiro na área.

Atualmente, a Alemanha é o quarto principal parceiro comercial do Brasil, com um intercâmbio de aproximadamente US$ 21 bilhões em bens e serviços em 2025 e um estoque de investimentos diretos superior a US$ 40 bilhões.

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