Lula critica tentativa dos Estados Unidos de vetar a participação da África do Sul no G20
O presidente Lula criticou, na Alemanha, a intenção dos Estados Unidos de vetar a participação da África do Sul no G20. O líder brasileiro defendeu o direito de permanência do país membro fundador contra a decisão de Donald Trump
Em viagem oficial pela Europa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou oposição à intenção do governo dos Estados Unidos de vetar a presença da África do Sul no G20. A declaração ocorreu em Hanôver, na Alemanha, após reunião com o chanceler Friedrich Merz, integrando um roteiro que incluiu a Espanha e terá como última parada Portugal.
A crítica de Lula refere-se à decisão de Donald Trump de não convidar o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, para a reunião de novembro, período em que os Estados Unidos presidem o fórum. O impasse ocorre após Trump alegar a existência de um "genocídio branco" e questionar a lei de reforma agrária da África do Sul, justificativas que levaram, inclusive, ao corte de auxílio financeiro norte-americano ao país africano.
Para o presidente brasileiro, as acusações contra o governo de Ramaphosa são falsas e a tentativa de exclusão é ilegítima, pois a África do Sul é um membro fundador do grupo. Lula argumentou que o G20, criado em 2008 para enfrentar a crise econômica originada nos Estados Unidos, é um fórum multilateral onde os membros fundadores possuem o direito assegurado de participação.
O presidente alertou que a aceitação de vetos individuais fragilizaria a estrutura do grupo, podendo gerar um efeito cascata de exclusões que atingiria outras nações, como a Alemanha e o próprio Brasil. Ele comparou a situação ao Conselho da Paz, órgão controlado por Trump, ressaltando que a natureza do G20 exige a união dos integrantes para evitar a desarticulação do bloco.