Keiko Fujimori avança para o segundo turno da disputa pela presidência do Peru
Keiko Fujimori disputará o segundo turno da eleição presidencial do Peru em 7 de junho, após obter 17% dos votos. Com 93,3% das urnas apuradas, a segunda vaga é disputada por Roberto Sánchez, com 1,890 milhão de votos, e Rafael López Aliaga, com 1,877 milhão
A definição do próximo presidente do Peru permanece incerta cinco dias após o pleito de domingo (17), que contou com 35 candidatos. Com 93,3% das urnas contabilizadas até sexta-feira, a direitista Keiko Fujimori assegurou a vaga no segundo turno, agendado para 7 de junho, ao conquistar 17% dos votos, totalizando 2,6 milhões de escolhas entre os 27 milhões de eleitores.
A disputa pela segunda vaga no turno final está concentrada entre Roberto Sánchez e Rafael López Aliaga, separados por menos de 3 mil votos. Sánchez soma 1,890 milhão de votos, enquanto Aliaga, ex-prefeito de Lima, possui 1,877 milhão. Após a apuração nas zonas rurais inverter a liderança inicial, Aliaga passou a alegar fraude eleitoral, embora não tenha apresentado provas. O partido de Sánchez, Juntos Pelo Peru, pediu calma e confiança nas instituições, enquanto a Missão da União Europeia não encontrou indícios de irregularidades, reportando apenas atrasos em 13 locais de votação na capital, o que afetou 55 mil pessoas.
O cenário eleitoral reflete a disputa global entre Estados Unidos e China. Keiko Fujimori, que tenta a presidência pela quarta vez após derrotas em 2011, 2016 e 2021, busca um realinhamento com Washington e a redução da influência chinesa, especialmente via Porto de Chancay. Filha do ex-ditador Alberto Fujimori, ela enfrenta resistência nas províncias devido ao histórico de violações de direitos humanos do pai e à associação de seu discurso antiterrorista às elites neoliberais.
Já Roberto Sánchez, psicólogo e deputado, defende um nacionalismo popular voltado às populações rurais, propondo a nacionalização de recursos naturais, a criação de uma nova constituinte e a ampliação de direitos trabalhistas. Ex-ministro do Comércio Exterior e Turismo, Sánchez foi entusiasta do Porto de Chancay, obra com forte investimento chinês. No campo oposto, Rafael López Aliaga defende o livre mercado e pautas ultraconservadoras, aproximando seu perfil ao de figuras como Donald Trump e Javier Milei.
O processo ocorre em um contexto de extrema instabilidade, com nove presidentes em uma década. O Parlamento peruano detém o controle real da agenda governamental, o que exigirá concessões do próximo eleito para garantir a governabilidade. A sucessão recente ilustra esse caos: Pedro Castillo, vencedor em 2021, foi preso e condenado em novembro de 2025 a mais de 11 anos de prisão por tentativa de golpe ao tentar dissolver o Congresso. Sua vice, Dina Boluarte, assumiu o cargo e reprimiu protestos que resultaram em 49 mortes, sendo destituída em 10 de outubro de 2025. José Jerí, presidente do Parlamento, assumiu em seguida, mas foi removido em 17 de fevereiro do mesmo ano, abrindo caminho para a gestão interina de José María Balcázar Zelada.
O Peru, quarto país mais populoso da América do Sul com 34 milhões de habitantes, possui uma fronteira de 2,9 mil quilômetros com o Brasil, a segunda maior extensão limítrofe do país após a Bolívia.