Balões sob a água podem armazenar energia para prover eletricidade a moradores de ilhas
Pesquisadores propuseram um sistema de armazenamento de energia para comunidades insulares utilizando balões ancorados no fundo do oceano. O método usa a pressão hidrostática para comprimir ar e, em conjunto com baterias de lítio, fornece eletricidade, água potável e refrigeração
Pesquisadores liderados por Qiang Lu propuseram um sistema de armazenamento de energia baseado em balões gigantes ancorados no fundo do oceano, capazes de abastecer comunidades insulares. O método, detalhado em estudo publicado no Journal of Renewable and Sustainable Energy em 2026, utiliza a pressão hidrostática natural das profundezas marinhas para comprimir ar, criando reservas de energia limpa.
A tecnologia surge para solucionar a escassez de espaço terrestre em ilhas, onde a área disponível é limitada e disputada por moradias e agricultura, além de enfrentar a intermitência de fontes renováveis, como a solar e a eólica. Ao transferir o armazenamento para o ambiente subaquático, o sistema elimina a necessidade de grandes instalações em terra e reduz a dependência de combustíveis fósseis importados e de redes elétricas continentais.
O ciclo de funcionamento ocorre quando o excesso de energia gerado por fontes renováveis é utilizado para bombear ar para dentro dos balões. A pressão da água realiza a compressão do ar sem custo energético adicional, armazenando a energia sob forma de pressão mecânica. Quando a demanda por eletricidade aumenta e a geração renovável cai, esse ar comprimido é liberado e direcionado a turbinas, que convertem a pressão novamente em corrente elétrica.
A análise da equipe de pesquisa comparou diferentes cenários energéticos, envolvendo energia das ondas, fotovoltaica, eólica e baterias convencionais. Os resultados indicam que a configuração mais eficiente combina os balões submersos com baterias de lítio. Enquanto as baterias atendem a picos instantâneos de consumo, os balões garantem o suprimento de grandes volumes de energia por períodos prolongados, como em semanas sem vento ou dias nublados.
Além da eletricidade, o sistema aproveita subprodutos termodinâmicos. O calor gerado durante a compressão do ar pode ser canalizado para processos de dessalinização da água do mar, transformando-a em água potável. Já a energia fria, resultante da expansão do ar para a geração de energia, pode ser aplicada na refrigeração de alimentos, climatização de ambientes e armazenamento de pescados.
Segundo Qiang Lu, a integração de eletricidade, água potável e refrigeração em um único mecanismo pode impulsionar a transição de ilhas para uma economia de carbono zero. Embora o conceito precise de validação em escala real, a proposta apresenta-se como uma alternativa viável ao uso de diesel para a autossuficiência energética de comunidades insulares.