Telescópio Subaru detecta que a composição do objeto interestelar 3I/ATLAS sofreu alterações químicas
O Telescópio Subaru registrou variações na composição química do corpo interestelar 3I/ATLAS em 7 de janeiro de 2026. A análise da coma revelou a redução da proporção de dióxido de carbono em relação à água após o periélio. O estudo indica que o núcleo do objeto possui estrutura estratificada
O Telescópio Subaru, do Observatório Nacional do Japão, identificou mudanças na composição química do objeto interestelar 3I/ATLAS, o terceiro corpo vindo de fora do Sistema Solar a ser detectado na vizinhança espacial. A análise, realizada em 7 de janeiro de 2026, ocorreu logo após o objeto atingir o periélio, ponto de máxima aproximação do Sol, momento essencial para a compreensão de sua atividade.
A investigação, conduzida por Yoshiharu Shinnaka, da Universidade Kyoto Sangyo, utilizou métodos de estudo de cometas do Sistema Solar para analisar a coma — a nuvem de gás que envolve o núcleo do visitante. Ao examinar as cores dessa região, a equipe estimou a proporção entre dióxido de carbono (CO₂) e água (H₂O).
Os dados revelaram que a razão CO₂/H₂O medida pelo Subaru é significativamente menor do que a registrada por telescópios espaciais antes do periélio. Essa variação indica que a composição química da coma não é constante, refletindo alterações físicas no cometa provocadas pelo aquecimento solar. Como o gás da coma provém do núcleo, a mudança na proporção de substâncias sugere que a estrutura interna do objeto é estratificada, com a composição do interior diferindo da camada externa.
A hipótese central é que, conforme o calor do Sol penetra no núcleo, regiões mais profundas e possivelmente mais ricas em água passam a sublimar, alterando a assinatura química do 3I/ATLAS.
O estudo, disponível desde março na plataforma arxiv e aceito para publicação no The Astronomical Journal, propõe que a aplicação de técnicas de observação de cometas locais a objetos interestelares permite a comparação direta entre corpos de diferentes origens. Shinnaka aponta que esse método possibilita explorar as diferenças de composição e evolução desses objetos, contribuindo para a compreensão da formação de planetas em diversos sistemas estelares, inclusive no Sistema Solar.
As observações do Subaru demonstram que o 3I/ATLAS evolui temporalmente, posicionando objetos interestelares como arquivos dinâmicos de processos físicos e químicos de outros sistemas planetários.