Ciência

Fóssil de 300 milhões de anos deixa de ser considerado o polvo mais antigo do mundo

15 de Abril de 2026 às 16:39

O espécime Pohlsepia mazonensis, de 300 milhões de anos e originário de Illinois, foi identificado agora como um nautilóide em decomposição. A alteração, detalhada em 8 de abril de 2026 na Proceedings of the Royal Society B, ocorreu após exames de micro-CT scan conduzidos por Thomas Clements, da Universidade de Reading, detectarem 11 dentes na rádula do animal

Um fóssil de 300 milhões de anos, localizado em Mazon Creek, Illinois, deixou de ser considerado o polvo mais antigo do mundo após a aplicação de novas tecnologias de análise. O espécime, denominado *Pohlsepia mazonensis*, foi reclassificado como um nautilóide decomposto, parente extinto dos nautilos contemporâneos, conforme estudo publicado em 8 de abril de 2026 na revista *Proceedings of the Royal Society B*.

A revisão da espécie foi conduzida por Thomas Clements, professor de zoologia de invertebrados da Universidade de Reading, na Inglaterra. A equipe utilizou a tecnologia de micro-CT scan com raios-X de alta potência para examinar a estrutura interna da rocha, superando as evidências visuais superficiais que sustentaram a classificação anterior por mais de duas décadas.

O ponto determinante para a mudança de categoria foi a identificação da rádula, a estrutura de alimentação do animal. A análise revelou a presença de pelo menos 11 dentes por fileira, característica que diverge da anatomia dos polvos modernos, que possuem apenas 7 ou 9 dentes por fileira.

Essa correção resolve um impasse paleontológico sobre a evolução da espécie. Até então, existia uma lacuna de 210 milhões de anos entre o *Pohlsepia* e o segundo registro de polvo fóssil mais antigo, datado de 90 milhões de anos. Com a descoberta de que o animal era, na verdade, um nautilóide com concha externa e tentáculos que sofreu decomposição, a disparidade temporal deixa de ser um mistério científico.

O sítio de Mazon Creek é reconhecido pela preservação de organismos do período Carbonífero em concreções. O caso demonstra que o uso de imageamento não invasivo permite a correção de interpretações históricas e amplia a compreensão sobre fósseis antigos.

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