Ciência

Brasil desenvolve agricultura espacial e nanossatélite para contribuir com a exploração lunar

18 de Abril de 2026 às 13:50

A missão Artemis II da Nasa orbitou a Lua entre 1º e 10 de abril. O Brasil, membro dos Acordos Artemis desde 2021, desenvolve a agricultura espacial Space Farming e o nanossatélite SelenITA. A Agência Espacial Brasileira destinou R$ 189 milhões para a criação de veículos lançadores

A conclusão da missão Artemis II, da Nasa, consolida a transição para uma nova etapa de viagens tripuladas à Lua e impulsiona a estratégia do Brasil para converter sua posição diplomática em contribuições técnicas. O voo, que ocorreu entre 1º e 10 de abril, durou 9 dias, 1 hora e 32 minutos, representando a primeira vez em mais de cinco décadas que tripulantes orbitaram o satélite natural da Terra. A operação serviu como um teste fundamental para as fases subsequentes do programa.

O Brasil integra, desde 2021, os Acordos Artemis, um grupo de 61 nações que estabelece diretrizes para a exploração sustentável, transparente e pacífica da Lua, de Marte e demais destinos espaciais. Para o governo brasileiro, o objetivo atual é evoluir da assinatura de tratados para a entrega de soluções concretas em ciência e tecnologia.

Nesse sentido, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação detalhou, em 17 de abril, que a atuação nacional se concentra em duas frentes principais. A primeira é o Space Farming, iniciativa da Embrapa com suporte da Agência Espacial Brasileira (AEB). O projeto foca na agricultura espacial, desenvolvendo sistemas de produção de alimentos que operem sob baixa gravidade, alta radiação e sem a presença de solo. Essa pesquisa é considerada vital para viabilizar a permanência humana prolongada fora da Terra, reduzindo a dependência de suprimentos vindos do planeta e permitindo a manutenção de bases na Lua e, futuramente, em Marte.

A segunda frente de atuação é o SelenITA, nanossatélite desenvolvido pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em parceria com a AEB, a Finep e entidades internacionais. O dispositivo foi projetado para orbitar a Lua e estudar a poeira lunar, campos magnéticos e fenômenos no polo sul lunar, região estratégica para a instalação de operações humanas devido à disponibilidade de recursos. O projeto recebeu aprovação para prosseguir após passar por uma revisão internacional em junho de 2025.

Para sustentar essa inserção na economia espacial, o país aposta em ativos logísticos e industriais. O Centro de Lançamento de Alcântara é destacado por sua localização geográfica, situada a 2°18′ ao sul da Linha do Equador. Complementando a busca por autonomia no acesso ao espaço, a AEB firmou um contrato de R$ 189 milhões com um consórcio empresarial para a criação de veículos lançadores.

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