Ciência

Estação Espacial Internacional flagra descargas elétricas ascendentes na atmosfera da América do Norte

15 de Abril de 2026 às 19:08

A Estação Espacial Internacional registrou, em 2025, sprites em tempestades na América do Norte. As descargas elétricas vermelhas ocorrem na mesosfera, entre 50 e 85 quilômetros de altitude, com extensão vertical de 20 a 30 quilômetros. O fenômeno é provocado por raios intensos entre nuvens e solo

Imagens capturadas em 2025 pela Estação Espacial Internacional (ISS) registraram novamente a ocorrência de sprites sobre sistemas de tempestades na América do Norte. Divulgados pela NASA, os registros documentam essas descargas elétricas avermelhadas que se manifestam na mesosfera, faixa da atmosfera situada entre 50 e 85 quilômetros de altitude.

Diferente dos raios convencionais, que se deslocam das nuvens em direção ao solo, os sprites seguem a trajetória inversa, propagando-se para cima. Essas estruturas podem atingir entre 20 e 30 quilômetros de extensão vertical, assumindo formas de colunas ramificadas ou águas-vivas. A natureza ampla e difusa dessas luzes é possibilitada pelas condições físicas da mesosfera, onde a pressão é baixa e o ar é extremamente rarefeito, alterando a condução elétrica em comparação à troposfera.

A formação do fenômeno está vinculada a descargas elétricas intensas entre nuvens e solo, especialmente os raios positivos. Esse processo gera uma mudança abrupta no campo elétrico acima das nuvens, criando as condições necessárias para que a descarga ocorra na alta atmosfera.

Por décadas, a ciência considerou improvável a existência de descargas ascendentes, o que levou ao descrédito de relatos feitos por pilotos desde o início da aviação. A validação científica ocorreu apenas em 1989, quando pesquisadores da Universidade de Minnesota utilizaram câmeras de baixa luminosidade para registrar o evento. O intervalo de mais de um século entre os primeiros relatos e o reconhecimento acadêmico evidencia a dificuldade de estudar fenômenos que duram apenas milissegundos e ocorrem fora do campo visual humano.

A observação dos sprites avançou com o uso de plataformas orbitais. A ISS, que orbita a cerca de 400 quilômetros de altitude, funciona como um observatório atmosférico avançado, superando as limitações do solo, onde nuvens densas e a brevidade dos eventos frequentemente impedem a visualização. Do espaço, sensores e câmeras de alta sensibilidade permitem a captura de imagens detalhadas.

Os sprites integram a categoria de eventos luminosos transitórios. Além de sua raridade, eles podem interferir na propagação de ondas eletromagnéticas e sinais de rádio de longa distância ao modificar a distribuição de cargas elétricas na interface com a ionosfera. Essa interação pode causar efeitos sutis e temporários em sistemas de comunicação e navegação.

Apesar do entendimento sobre sua origem, os mecanismos exatos que determinam quando e onde os sprites aparecem ainda não foram totalmente compreendidos. O fenômeno permanece como um dos campos mais ativos de pesquisa da eletricidade atmosférica, revelando que grande parte da atividade elétrica do planeta ocorre em camadas invisíveis e complexas da atmosfera.

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