Museu na Geórgia apresenta a primeira montagem de um esqueleto completo do crocodiliano Deinosuchus
O Tellus Science Museum, na Geórgia, expõe a primeira montagem de um esqueleto completo do crocodiliano Deinosuchus. A réplica de 9,45 metros foi produzida pela Triebold Paleontology com base em pesquisas de David R. Schwimmer. A espécie habitou os Estados Unidos há cerca de 80 milhões de anos
O Tellus Science Museum, na Geórgia, apresentou a primeira montagem de um esqueleto completo do *Deinosuchus*, espécie de crocodiliano que habitou os pântanos e rios do atual território dos Estados Unidos há cerca de 80 milhões de anos, durante o Cretáceo Tardio. A réplica de 9,45 metros foi desenvolvida pela Triebold Paleontology ao longo de dois anos, integrando dados de múltiplos espécimes e pesquisas conduzidas por mais de quatro décadas pelo paleontólogo David R. Schwimmer, professor da Columbus State University e especialista que contou com apoio da National Geographic.
O animal, cujo nome significa “crocodilo terrível”, superava significativamente as espécies atuais. Enquanto o crocodilo-de-água-salgada, o maior hoje, atinge 6 metros e 1 tonelada, o *Deinosuchus* chegava a quase 10 metros de comprimento e pesava até 8 toneladas em seus maiores exemplares. Estimativas baseadas em crânios e vértebras indicam que alguns indivíduos podiam ultrapassar os 12 metros.
A anatomia do predador era adaptada para a caça por emboscada em ambientes semiacuáticos. Com um focinho largo e ponta bulbosa, semelhante ao de um jacaré, e quatro dentes no pré-maxilar, o animal possuía uma mandíbula de 2 metros capaz de esmagar ossos. Evidências de mordidas em fósseis de hadrossauros — dinossauros herbívoros de grande porte que bebiam água nas margens dos pântanos costeiros tropicais da época — confirmam que o *Deinosuchus* atacava presas muito maiores do que as enfrentadas por crocodilianos modernos.
O registro fóssil da espécie é fragmentário, com achados distribuídos por Texas, Montana, Nova Jersey e Geórgia. Os primeiros indícios surgiram em 1858, através de ilustrações de dentes feitas por Ebenezer Emmons, seguidas pela descoberta de ossos em Montana em 1909 por William Jacob Holland, que nomeou a espécie *Deinosuchus hatcheri*. Naquela ocasião, foram recuperados costelas, vértebras, um osso pélvico e osteodermos — placas ósseas do dorso que, segundo o paleontólogo Christopher A. Brochu, são tão distintas que permitem a identificação da espécie mesmo em fragmentos.
A precisão sobre as dimensões do animal evoluiu com o tempo. Nos anos 1950, Edwin H. Colbert e Roland T. Bird reconstruíram a mandíbula inferior e estimaram que o animal passaria de 15 metros, medida considerada exagerada devido à escassez de material comparativo na época. Posteriormente, Schwimmer aplicou equações mais precisas, estimando entre 8 e 10 metros e cerca de 2 toneladas para espécimes médios. Em 2002, o pesquisador também criou a primeira reconstrução computacional de 90% do crânio, resultando na nomeação da espécie *Deinosuchus schwimmeri* em sua homenagem.
Embora dispute o título de maior crocodiliano da história com o *Sarcosuchus imperator* — que viveu na África há 112 milhões de anos e também atingia 12 metros —, o *Deinosuchus* se diferenciava por possuir uma armadura corporal mais densa e robusta. Apesar da nova réplica no museu, nenhum esqueleto original completo foi encontrado na natureza até o momento, mantendo a discussão aberta sobre se *D. hatcheri* e *D. schwimmeri* são espécies distintas ou variações de uma mesma linhagem.