Ciência

Separação de placas tectônicas na África Oriental pode levar à formação de um novo oceano

18 de Abril de 2026 às 13:51

A separação das subplacas Núbia e Somali no Sistema de Rift da África Oriental pode formar um novo oceano em milhões de anos. O fenômeno, iniciado há 30 milhões de anos na Etiópia, abrange a área até o Zimbábue e gera instabilidades na crosta. Em 2005, o oeste etíope teve uma fenda de 60 quilômetros com movimentação de dois metros do terreno

A África atravessa um processo geológico ativo que, ao longo de milhões de anos, poderá resultar na criação de um novo oceano. O fenômeno ocorre no Sistema de Rift da África Oriental, onde a separação gradual de placas tectônicas altera a paisagem e provoca instabilidades na crosta terrestre, manifestadas por terremotos e fissuras no solo.

A transformação é impulsionada pela divisão da Placa Africana em duas subplacas: a Núbia, de maior dimensão, e a Somali, que se desloca lentamente para leste. Esse movimento é resultado da dinâmica do manto terrestre e da pressão exercida por rochas parcialmente fundidas sob a litosfera, o que favorece a abertura de falhas.

A fratura teve origem na região de Afar, ao norte da Etiópia, há aproximadamente 30 milhões de anos. Desde então, a fenda progrediu em direção ao sul, alcançando o Zimbábue. O trajeto do sistema de rift abrange países como Moçambique, Malawi, Ruanda, Uganda, Tanzânia, Quênia e Etiópia, redesenhando o relevo regional.

Embora o deslocamento ocorra em uma velocidade de centímetros por ano, eventos pontuais evidenciam a atividade do sistema. Em 2005, o oeste da Etiópia registrou a abertura de uma fenda de 60 quilômetros, com um deslocamento do solo de dois metros em um curto intervalo de tempo. A geóloga Lucia Perez Diaz, do Royal Holloway College, pontuou que a atividade no ramo oriental do Vale do Rift tornou-se evidente após o surgimento repentino de uma fissura no sudoeste do Quênia.

O estudo desse fenômeno é fundamental para a ciência compreender a mecânica de abertura de continentes e a gênese de oceanos. Pesquisas indicam que a porção norte do sistema pode evoluir com maior rapidez, o que amplia o interesse científico sobre a região. A longo prazo, a expectativa é que o fundo do mar preencha a extensão da fenda, consolidando a formação de um novo oceano em um período de dezenas de milhões de anos.

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