Amazon adquire a Globalstar por US$ 11,57 bilhões para competir com a Starlink
A Amazon adquiriu a Globalstar por US$ 11,57 bilhões, obtendo controle de licenças de espectro e a tecnologia Direct-to-Device. A companhia prevê iniciar a oferta de internet via satélite em 2026 e manterá a cooperação com a Apple. No Brasil, a SKY distribuirá os serviços
A Amazon investiu US$ 11,57 bilhões na aquisição da operadora de satélites Globalstar, movimento estratégico para acelerar sua competitividade diante da Starlink, da SpaceX. Atualmente, a rede da SpaceX detém uma vantagem operacional com mais de 10 mil satélites e uma base que ultrapassa 9 milhões de usuários globais. Com a compra, a empresa de Jeff Bezos assume o controle de licenças de espectro, infraestrutura e a tecnologia Direct-to-Device (D2D), que possibilita a conexão direta entre satélites e dispositivos móveis.
A operação inclui um acordo com a Apple para a manutenção e expansão de recursos de comunicação via satélite em aparelhos compatíveis. A infraestrutura da Globalstar já é utilizada pela empresa de Cupertino para viabilizar funções de emergência, compartilhamento de localização e assistência na estrada no Apple Watch Ultra 3 e em iPhones a partir da linha 14, em locais sem cobertura de Wi-Fi ou sinal celular. Greg Joswiak, vice-presidente sênior de marketing mundial de produto da Apple, afirmou que a parceria garante a continuidade desses serviços e prevê o desenvolvimento de novas funcionalidades à medida que a rede da Amazon ganhe escala.
O projeto Amazon Leo, anteriormente denominado Project Kuiper, tem como meta a implementação de uma constelação de 3.200 satélites em órbita baixa até 2029. O cronograma da companhia prevê o início dos serviços de internet via satélite em 2026, enquanto a implantação do sistema D2D de próxima geração deve ocorrer em 2028. Esta tecnologia permitirá a transmissão de voz, dados e mensagens em celulares e outros dispositivos em áreas remotas, trajetos marítimos ou cenários de desastres naturais, com a promessa de um uso de espectro mais eficiente que os sistemas legados.
No que diz respeito ao desempenho técnico, a Amazon detalhou capacidades de download para seus terminais próprios: o modelo Leo Pro atinge 400 Mbps, enquanto o Leo Ultra, voltado a governos e empresas, e a antena para aviação comercial chegam a 1 Gbps (sendo que a versão aeronáutica registra 400 Mbps de upload). Tais velocidades referem-se aos equipamentos de recepção e não ao serviço D2D para smartphones, cujas taxas de transmissão específicas ainda não foram divulgadas.
No Brasil, a comercialização da internet via satélite da Amazon será realizada pela SKY, integrando a estratégia do Grupo Werthein para a América do Sul. O objetivo da operação no país é expandir o acesso à conectividade em regiões urbanas e rurais que ainda não possuem cobertura por redes convencionais.