Empresa chinesa produz 150 ônibus para a capital argentina em 16 dias
A empresa King Long, da China, forneceu 150 ônibus a GNV para a Metropol, em Buenos Aires, fabricados em 16 dias úteis. Os veículos custam de 20% a 30% menos que os modelos argentinos e possuem prazo de entrega de 30 dias
A fabricante chinesa King Long produziu 150 ônibus movidos a GNV em 16 dias úteis para integrar a frota da empresa Metropol, na Cidade de Buenos Aires. A operação se destaca pelo custo, que é entre 20% e 30% inferior ao de veículos produzidos na Argentina, e pelo prazo de entrega total de 30 dias após a aquisição.
O ritmo de fabricação da King Long, que resulta em mais de nove unidades por dia, é viabilizado por linhas de montagem automatizadas, padronização de componentes e cadeias de suprimentos integradas. Essa escala industrial massiva permite a diluição de custos fixos e a negociação de matérias-primas — como aço, alumínio e sistemas elétricos — em volumes globais, já que a empresa exporta para 150 países. Em contrapartida, a indústria de carrocerias argentina opera com processos semi-artesanais, onde a montagem de um único veículo pode levar semanas.
Além da vantagem nos preços e na agilidade, a oferta chinesa inclui condições de financiamento competitivas, com taxas de juros subsidiadas por bancos de desenvolvimento da China e prazos de pagamento mais extensos do que os disponíveis no mercado local.
A estratégia chinesa na Argentina combina a exportação de frotas com a implantação de presença industrial. Enquanto a King Long domina o fornecimento externo, a fabricante Yutong firmou um acordo com a Nuovobus para a produção local de ônibus elétricos e movidos a GNV.
Para a capital argentina, a renovação da frota com veículos a GNV reduz a emissão de poluentes, diminui a poluição sonora e baixa os custos operacionais em relação ao diesel. No entanto, a entrada desses veículos pressiona a indústria nacional, que enfrenta a impossibilidade de competir em preço e velocidade, colocando o governo argentino diante do dilema entre proteger empregos industriais locais ou acelerar a modernização do transporte público via importações.
Esse movimento reflete uma tendência de expansão da China em mercados da América Latina, como Brasil, Chile e Colômbia, onde a oferta de tecnologia e custo reduzido redefine os padrões de modernização de frotas urbanas.