Economia

Governo federal libera R$ 15 bilhões em crédito para indústrias afetadas por tarifas americanas

17 de Abril de 2026 às 07:54

Recursos de R$ 15 bilhões foram liberados pelo governo federal para indústrias com déficit comercial e setores atingidos por tarifas dos Estados Unidos ou conflitos no Oriente Médio. O crédito, com juros mensais de 0,94% a 1,41%, foca em tecnologia da informação e no ramo farmacêutico. O prazo de quitação é de 5 a 20 anos

O governo federal disponibilizou R$ 15 bilhões em linhas de crédito para apoiar setores impactados por tarifas comerciais dos Estados Unidos, conflitos no Oriente Médio e indústrias com déficit na balança comercial. A medida, detalhada por Geraldo Alckmin no Palácio do Planalto nesta quinta-feira (16), prioriza áreas estratégicas como tecnologia da informação e indústria farmacêutica.

A Portaria Interministerial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divide os beneficiários em três grupos. A primeira categoria abrange exportadores de bens industriais e seus fornecedores atingidos por taxas americanas, desde que as exportações representem ao menos 5% do faturamento bruto entre 1º de agosto de 2024 e 31 de julho de 2025. Estão incluídos os setores de aço, cobre e alumínio, sujeitos a tarifas extras de 50%, além de autopeças e segmentos específicos de móveis, com alíquotas de 25%.

O segundo grupo contempla setores essenciais para a modernização produtiva e tecnológica, como os ramos químico, têxtil, automotivo, farmacêutico, de borracha, minerais críticos e máquinas e equipamentos eletrônicos ou de informática. Já a terceira categoria engloba empresas e fornecedores que exportam para países do Golfo Pérsico — Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque, Kuwait e Omã —, com a exigência de que o faturamento com essas vendas seja de no mínimo 5% do total no período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2025.

O suporte financeiro ocorre após a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar, em outubro do ano passado, tarifas de 50% impostas por Donald Trump, que foram posteriormente fixadas em 15% para todas as nações exportadoras.

Os recursos podem ser aplicados em capital de giro (geral ou destinado à exportação), aquisição de bens de capital, ampliação da capacidade produtiva, inovação tecnológica, adaptação de processos e adensamento da cadeia de produção. Em contratações diretas via BNDES, os juros variam entre 0,94% ao mês para investimentos e 1,28% para capital de giro. Em operações indiretas por outras instituições financeiras, as taxas oscilam de 1,06% a 1,41%. O prazo de quitação fica entre 5 e 20 anos, com carências de 1 a 4 anos para investimentos.

A liberação das linhas foi viabilizada por uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), aprovada também nesta quinta-feira, que definiu as condições para a oferta do crédito.

Com informações de Agência Brasil

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