A China coloca em operação um navio que busca atingir o manto terrestre
A China ativou, em 2026, o navio Meng Xiang com a meta de perfurar o manto terrestre até 2030 nos oceanos Índico ou Pacífico. A embarcação de 42.600 toneladas alcança 11 quilômetros de profundidade para estudos geológicos e extração de petróleo e gás. O porto de apoio em Qingdao começou a operar em 8 de janeiro de 2026
A China iniciou em 2026 a fase operacional do navio Meng Xiang, embarcação projetada para liderar a tentativa de perfuração direta até a camada que separa a crosta terrestre do manto, marca ainda não atingida pela ciência. O cronograma estabelecido para este ano prevê o começo das primeiras expedições científicas, enquanto a meta de perfuração em escala total para alcançar o manto deve ocorrer até 2030, com operações previstas para os oceanos Índico ou Pacífico, conforme dados da revista Nature.
Com 179,8 metros de comprimento e 42.600 toneladas de deslocamento, o navio é a maior estrutura do gênero construída pelo país. A embarcação possui capacidade técnica para perfurar até 11 quilômetros abaixo do leito oceânico e conta com autonomia de 120 dias, alcance de 15 mil milhas náuticas e acomodações para 180 pessoas, entre pesquisadores e tripulação. A estrutura funciona como um centro de pesquisa móvel, equipado com nove laboratórios, um sistema hidráulico de 907 toneladas, quatro modalidades de perfuração e três métodos distintos de coleta de testemunhos geológicos.
A viabilização logística do projeto avançou em 8 de janeiro de 2026, com a entrada em operação do porto base no norte da China, localizado na baía de Aoshan, em Qingdao. Anteriormente, em 17 de novembro de 2024, o navio havia sido incorporado em Guangzhou, após testes de mar que superaram as metas de desempenho previstas no projeto original.
O objetivo científico do Meng Xiang é obter evidências diretas sobre a tectônica de placas, a formação da crosta oceânica, climas marinhos remotos e a delimitação do limite inferior da vida no interior do planeta. Paralelamente à pesquisa acadêmica, a plataforma foi desenvolvida para a exploração de petróleo, gás natural e a investigação de hidratos de gás, integrando interesses industriais e projeção estratégica.
Essa capacidade técnica amplia a influência geopolítica chinesa, especialmente no Mar do Sul da China, região onde a disputa por soberania territorial converge com a busca por recursos energéticos, conforme descrito em análises de energia dos Estados Unidos.
O cenário impacta a leitura estratégica de nações com forte dependência de recursos marítimos, como o Brasil. Atualmente, a Amazônia Azul concentra 91% da produção de petróleo e 73% do gás natural brasileiro. Esse contexto de exploração foi reforçado em março de 2025, quando a ONU reconheceu a ampliação de 360 mil km² do território marítimo do Brasil na Margem Equatorial, consolidando o direito de extração de riquezas no subsolo e no leito marinho.