Cometa com período orbital de 170 mil anos torna-se visível a olho nu em 2026
O cometa C/2025 R3 PanSTARRS, detectado no Havaí, atingirá o periélio em 19 de abril de 2026 a 75 milhões de quilômetros do Sol. O objeto será visível no Brasil a partir de 18 de abril, com período ideal de observação entre 25 de abril e maio
O cometa C/2025 R3 PanSTARRS, originário da Nuvem de Oort — região gelada situada além de Netuno —, retorna ao sistema solar interno com um período orbital estimado em 170 mil anos. A última vez que o corpo celeste cruzou a órbita terrestre, o *Homo sapiens* ainda não havia deixado o continente africano. Devido à sua órbita hiperbólica, existe a possibilidade de que este seja um evento irrepetível, com o cometa sendo ejetado para o espaço interestelar ou se desintegrando, impossibilitando novas visitas à vizinhança da Terra.
Detectado em 8 de setembro de 2025 pelo telescópio PanSTARRS, no Havaí, o objeto tornou-se observável com binóculos comuns a partir de 20 de março de 2026. Atualmente posicionado na constelação de Pégaso, abaixo do Grande Quadrado, ele migrará para a constelação de Peixes após atingir o periélio. O ponto de maior proximidade com o Sol ocorrerá em 19 de abril de 2026, a aproximadamente 75 milhões de quilômetros (0,499 UA) da estrela.
O pico de luminosidade coincide com essa aproximação solar. As estimativas de brilho variam entre a magnitude 3 ou 4, visível a olho nu em locais com céus escuros, e a magnitude -1, superando o brilho de qualquer estrela, caso ocorra uma dispersão frontal favorável. No entanto, a característica de ser "pobre em poeira" pode limitar esse fenômeno de dispersão. Outra variável é a sobrevivência do núcleo, já que cometas da Nuvem de Oort podem se fragmentar ao se aproximarem do Sol.
Para quem observa do Brasil, a visibilidade começa em 18 de abril, com brilho estimado em magnitude 2,5, similar à estrela mais fraca das Três Marias. A lua nova de 17 de abril favorece a observação ao reduzir a poluição luminosa natural. Entre 15 e 16 de abril, o cometa integrou um raro alinhamento fotográfico ao aparecer em conjunção com a Lua, Mercúrio, Marte e Saturno.
No Hemisfério Norte, a melhor janela de observação ocorre no céu matinal oriental até 25 de abril. Já para o Hemisfério Sul e Brasil, o período ideal se estende de 25 de abril até maio, no céu vespertino. Em áreas urbanas com alta poluição luminosa, a visibilidade a olho nu é incerta, sendo recomendável o uso de binóculos 10×50.
O evento integra um calendário astronômico movimentado em 2026, que inclui superluas e um eclipse total, conforme revelado pela NASA.