Cientistas identificam novo gênero de tarântulas com os maiores órgãos sexuais já registrados entre a espécie
Alireza Zamani, da Universidade de Turku, identificou quatro novas espécies de tarântulas do gênero Satyrex na Península Arábica e no Chifre da África. O estudo, publicado na revista ZooKeys, destaca que os machos possuem os palpos mais longos já registrados entre tarântulas. Os exemplares habitam tocas em solos arenosos e apresentam comportamento defensivo
A identificação de quatro novas espécies de tarântulas, pertencentes ao recém-criado gênero *Satyrex*, revela adaptações anatômicas singulares em exemplares encontrados na Península Arábica e no Chifre da África, abrangendo Somália, Etiópia, Eritreia e Djibuti. A descoberta, detalhada em estudo publicado na revista *ZooKeys* em julho de 2025, resultou da análise de dados morfológicos e moleculares conduzida por Alireza Zamani, da Universidade de Turku, na Finlândia.
A criação do novo gênero foi necessária devido à distinção genética e estrutural desses espécimes em relação aos seus parentes mais próximos. O nome *Satyrex* deriva da junção de *Satyr* (referência aos sátiros da mitologia grega) e *Rēx* (rei, em latim). Entre as quatro espécies catalogadas, destaca-se a *Satyrex ferox*, a maior do grupo, que apresenta uma envergadura de pernas de cerca de 14 cm.
O traço mais marcante do gênero é a dimensão dos palpos dos machos — apêndices utilizados para a transferência de esperma. De acordo com a pesquisa, esses órgãos são os mais longos já registrados entre todas as tarântulas conhecidas. A hipótese científica sugere que tal característica evoluiu como um mecanismo de defesa. Como as fêmeas do gênero *Satyrex* são extremamente agressivas e tendem a atacar os pretendentes durante o acasalamento, os palpos alongados permitiriam que os machos mantivessem uma distância segura das mandíbulas das fêmeas.
Zamani observa que, embora a maioria das tarântulas possua ganchos nas patas dianteiras para conter as presas das fêmeas, esses dispositivos não seriam suficientes para proteger os machos da agressividade específica da espécie *Satyrex*.
Todas as espécies do gênero habitam o subsolo, vivendo em tocas escavadas em solos arenosos, e são caracterizadas por um comportamento altamente defensivo. A distribuição geográfica indica que a separação evolutiva ocorreu há milhões de anos, quando o afastamento da Placa Arábica em relação à África isolou as populações nos dois lados do Mar Vermelho.
A investigação teve início em 2024, após a análise de registros científicos, redes sociais e a plataforma iNaturalist, que já apontavam a existência de tarântulas com órgãos sexuais incomuns nas regiões estudadas.