Ciência

Satélite SWOT revela que tsunamis possuem movimentação distinta da prevista por simuladores matemáticos

18 de Abril de 2026 às 07:55

Um tsunami em Kamchatka foi capturado pelo satélite SWOT, revelando a fragmentação da energia em ondas com velocidades variadas. A extensão do rompimento da falha foi corrigida para 400 quilômetros por meio da interferometria radar. A reativação de uma megafalha de 1952 em águas profundas também foi identificada

O registro de um tsunami em Kamchatka pelo satélite SWOT alterou a compreensão científica sobre a dinâmica dessas ondas. Enquanto a oceanografia clássica descrevia tsunamis como ondas lineares e previsíveis, as imagens capturadas revelaram um comportamento complexo e "trançado", com a energia se dispersando por centenas de quilômetros e dividindo-se em ondas principais e secundárias com velocidades distintas.

Essa observação foi possível graças à tecnologia de interferometria radar do SWOT, lançado em dezembro de 2022 com a finalidade de mapear a topografia de águas continentais e oceânicas. Diferente das boias DART, que operam como sensores de pressão em pontos isolados do fundo do mar, o satélite monitora faixas de 120 quilômetros de largura com precisão centimétrica. Essa capacidade permitiu a análise da geometria completa da onda em tempo e espaço, algo inédito para a ciência.

A descoberta indica que os simuladores matemáticos utilizados em alertas costeiros podem subestimar a variabilidade da energia que atinge o litoral. A força com que o tsunami impacta praias e portos é modulada por essa dispersão, um fenômeno que os modelos atuais não conseguem prever e que falharam em replicar os padrões registrados pelo satélite.

Os dados também possibilitaram a correção do modelo do terremoto que originou o evento. A análise conjunta entre o SWOT e as boias DART elevou a estimativa da ruptura da falha de 300 para cerca de 400 quilômetros. O estudo identificou que a megafalha rompida no terremoto histórico de 1952 foi reativada, porém em águas mais profundas, fator que justifica a menor destrutividade do tsunami de 2025, apesar de sua magnitude.

Angel Ruiz-Angulo, da Universidade da Islândia, descreveu as informações obtidas como uma nova perspectiva para a ciência. Embora o processamento dos dados leve entre 5 e 10 dias, o que impede a emissão de alertas em tempo real, o evento de Kamchatka demonstrou que a altimetria espacial é fundamental para o aprimoramento de previsões futuras. A captura do fenômeno, embora não planejada, evidenciou uma aplicação capaz de transformar o monitoramento de desastres naturais nos oceanos ao permitir a observação do trajeto entre o terremoto e a chegada da onda à costa.

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