Ciência

Tecnologia da USP foi utilizada para monitorar astronautas na missão Artemis II da NASA

18 de Abril de 2026 às 07:52

A missão Artemis II da NASA utilizou um actígrafo da EACH-USP para acompanhar a saúde de quatro astronautas. O dispositivo operou em um trajeto de 1.117.515 quilômetros, alcançando a distância de 406.771 quilômetros da Terra. A cápsula Orion pousou no Oceano Pacífico em 10 de abril

A tecnologia desenvolvida em uma universidade pública brasileira integrou a missão Artemis II da NASA, a primeira jornada tripulada à Lua em 53 anos, desde a Apollo 17, em 1972. O dispositivo, um actígrafo criado na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP (EACH), monitorou a saúde dos astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e o canadense Jeremy Hansen durante todo o trajeto.

A cápsula Orion levou a tripulação a uma distância recorde de 406.771 quilômetros da Terra, superando em 6.600 km a marca anterior estabelecida pela Apollo 13. Ao longo de um percurso total de 1.117.515 quilômetros, que incluiu duas órbitas terrestres e um sobrevoo lunar, os astronautas passaram pelo lado oculto da Lua e fotografaram crateras nunca vistas anteriormente por seres humanos.

O equipamento brasileiro, coordenado pelo professor de cronobiologia Mario Pedrazzoli, foi originalmente desenvolvido para estudar distúrbios do sono em populações no Brasil. O dispositivo mede a intensidade e a composição espectral da luz — com foco na luz azul, responsável por regular o ciclo sono-vigília —, além do movimento corporal. A precisão na coleta desses dados em ambientes controlados atraiu a NASA, que testou a ferramenta e a incluiu no protocolo da missão, dado que a ausência de ciclos naturais de dia e noite no espaço torna o sono um fator crítico para a segurança e o desempenho dos astronautas.

A presença do actígrafo no pulso dos quatro tripulantes, registrada em imagens oficiais, é considerada pela EACH-USP como uma conquista histórica, evidenciando a capacidade da pesquisa científica brasileira de atuar no mais alto nível da exploração espacial. Essa colaboração amplia as possibilidades de parcerias internacionais, especialmente com a previsão da NASA de pousar astronautas na superfície lunar a partir de 2028, na missão Artemis III.

No dia 10 de abril, a cápsula Orion reentrou na atmosfera terrestre, atingindo temperaturas externas de 2.760°C e enfrentando um silêncio de rádio de 13 minutos. O pouso ocorreu com segurança no Oceano Pacífico, ao largo da costa da Califórnia, com a tecnologia brasileira preservada. O comandante Reid Wiseman descreveu a missão como a experiência mais especial de sua vida.

Os dados obtidos durante os 10 dias de missão seguem em análise pelas equipes da USP e da NASA. Além de validar sistemas para o futuro pouso lunar, o monitoramento do sono em ambientes extremos possui aplicações diretas na Terra, podendo orientar diagnósticos de distúrbios do sono, fundamentar políticas públicas de saúde e criar protocolos para profissionais com turnos irregulares, como militares, pilotos e médicos.

Com informações de Click Petróleo e Gás

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